Conheça o papel dos profissionais da Radiologia no tratamento de doenças cardiovasculares

As doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes nos países ricos e emergentes. De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, uma pessoa morre a cada dois minutos devido a essas enfermidades. Anualmente, a conta fecha em torno de 300 mil óbitos em decorrência de infartos, aneurismas, má formações arteriovenosas (MAV) e outras condições que afetam o coração e todo o resto do sistema vascular. Além de boa alimentação, redução do tabagismo e atividades físicas, os exames de hemodinâmica também fazem parte das medidas preventivas para essas patologias.
Um dos procedimentos mais conhecidos é o cateterismo, que consiste na inserção de um tubo fino e flexível em uma artéria no antebraço, na virilha ou no pulso. Depois de chegar ao ponto onde se quer averiguar, o cateter (como é chamado o tubo) solta uma substância radiopaca que contém iodo na composição para gerar contraste com os raios X emitidos do aparelho sobre o qual o paciente está deitado, gerando imagens internas do corpo humano transmitidas para um monitor. O cateterismo tem como finalidade o diagnóstico de condições como aneurismas, problemas nas cavidades do coração e infecções no sistema vascular.
Em geral, o exame dura até cerca de 10 minutos e é contraindicado para pacientes renais ou alérgicos ao iodo. Neste último caso, o médico pode aplicar antialérgicos para que não haja maiores complicações ao longo da análise. Além disso, é preciso proteger os examinadores da emissão dos raios X, com o uso do avental de chumbo e outros acessórios para proteger principalmente a região torácica e o pescoço. Normalmente é exigido jejum prévio do paciente e o uso de alguns remédios podem ser suspendidos.
O técnico em radiologia Ricardo Trevisan, morador de Vila Velha, Espírito Santo, atua na área de hemodinâmica há 16 anos e conta gostar do que faz por ter se identificado com o ambiente cirúrgico no qual os exames é realizado. “Não é um caminho muito procurado pelos profissionais da nossa categoria por conta da exposição mais intensa aos raios X, mas nunca tive medo”, confessa. Aos técnicos que pretendem trabalhar na hemodinâmica, o capixaba alerta que é preciso ter bastante conhecimento de anatomia e estudar os diversos protocolos da máquina. “Não dá para errar num procedimento de cateterismo”, adverte.
Os aspectos operacionais, os controles de qualidade dos aparelhos e da radiação e a segurança do ambiente são tarefas a cargo do técnico em radiologia. “A cada dia há mais atributos agregados à profissão deles”, afirma Airton Arruda, médico cardiologista intervencionista em Vitória, Espírito Santo, e diretor de qualidade profissional da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI). Arruda conta que em alguns procedimentos os técnicos e tecnólogos participam até da análise de resultado de exames. “Os profissionais da categoria deixaram de ser apenas aqueles que revelam e entregam os resultados ao médico e têm sua função cada vez mais relevante na área da hemodinâmica”, informa.
Variações terapêuticas
O coração não é o único órgão cuja circulação sanguínea pode ser analisada na hemodinâmica. A arteriografia seletiva renal tem o objetivo de detectar anomalias nos rins, tais como diminuição do calibre dos vasos, aneurismas e insuficiência renal. No procedimento, também é usado o cateter, o contraste iodado e o raio X.
Além dos exames, a hemodinâmica também tem os procedimentos de prevenção às enfermidades dos sistemas cardiovascular e vascular. O stent cardíaco não tem a função de diagnosticar, mas sim de tratar de obstruções em vasos sanguíneos comprometidos por placas de gordura ou coágulos. Ele é geralmente feito durante os procedimentos de angioplastia, a fim de reestabelecer a circulação no local afetado, no qual é usado um balão que, posicionado e inflado no local de estrangulamento, restitui a vascularização no ponto danificado com a implantação do stent, placa de aço inoxidável na parede do vaso desobstruído pela angioplastia. Já a valvoplastia é a abertura de válvulas cardíacas por meio de um ou mais balões a fim de normalizar a vascularização no órgão.
Existem outras aplicações para esta especialidade, nos casos de mobilizações e miomas uterinas, tumores hepáticos, embolizações de hemorragias digestivas, TAV, TIP’S, penumbra, prótese biliar, drenagens hepáticas, estudo eletrofisiológico e endoprotese aórtica.
Fonte: Conselho Nacional de Técnicos em Radiologia

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